Será possível que nenhum jornal, veículo de massa, conseguirá pautar alguma coisa para cobrir esse episódio? A REvista Istoé está inclusive fazendo campanhas criminalizando os camponeses, ouvi outro dia numa rádio comentaristas falando suas opiniões (que ninguém quer saber, diga-se de passgem) sobre as manifestações dos alunos da USP, que exigiam explusão do reitor. Os comentaristas diziam: "Nossa, eu sou a favor da manifestação pacífica que não depreda nada, já as invasões do MST sou contra, pq eles matam, saqueiam casas destroem tudo da fazenda". Vejam só, aparetemente as pessoas acham normal ouvir esses tipos de comentários, a ala mais reacionária de nossa sociedade lê Veja e assiste ao Jornal Nacional. Está havendo, de uma maneira geral, uma verdadeira onda de criminalização dos movimentos socais, da parcela menos favorecida de pessoas. Em qualquer lugar que se vá, podemos perceber isso.
Estive no Forum por motivos pessoais e percebi uma coisa: a vestimenta dos advogados (homens e mulheres muito bem vestidos) é uma prática habitual eu sei, algo que o estilo da profissão exige. É como se um advogado não tão bem vestido não pudesse ter respaldo suficiente e sua competência fosse colocada em cheque por causa disso. Soma-se o fato de muitas vezes a pessoa que está indo ter com eles é um sujeito simples, com sapato surrado e que olha para baixo, sem saber como encarar a briga de chacais que está por vir. A impressão que eu tenho é que a vestimenta fina é como uma espécie de fator intimidador, é quase possível ouvir: "olha como eu sou bem vestido, eu sou de bem, e vc vai perder a causa porque é pobre e sujo. Eu defendo a grande empresa e me alimento bem todos os dias". Concluo então que até os ambientes judiciais está declaradamente à favor de certa desigualdade social imposta por um estilo de se vestir e de agir: a justiça acaba sendo burguesa tb.
Voltando ao assunto, ninguém está noticiando os acontecimentos em Rodônia, aquela parte do país não entra nos telejornais a não ser com 30 segundos de imagens tendênciosas que nos dão a mesma base de informação daquilo que acontece no Iraque por exemplo, nem parece que estamos no mesmo país.
Eu só estou tentando o que me é possível, lançar mão de meus colegas de profissão para ver se ao menos um jornalismo limpo e digno é capaz de mostrar a outra face da verdade, já que a primeira face é sempre a verdade do dominante, dos bem vestidos, dos fazendeiros, dos enletrados achólogos cometaristas de rádios.
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DENUNCIA GRAVÍSSIMA:
MASSACRE DE CAMPONESES EM CAMPO NOVO-RO
Na manha de hoje,dia 09 de abril, mais de 100 jagunços fortemente armados e encapuzados,invadiram o acampamento conquista da união
localizado na br 421 km 140,municipio de campo novo de Rôndonia.
Os jagunços e policiais cercaram o acampamento e foram atirando em todos que ali se encontravam.Segundo informações passadas por um
camponês que conseguiu escapar, cerca de 15 pessoas incluindo uma mulher grávida foram assassinadas brutalmente e outras apanhadas como refém.20 motos e todos pertences dos acampados foram queimados.
A Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia-LCP- vinha denunciando há várias semanas a preparação de um massacre de camponeses sem-terra naquela região do estado.Toda a campanha orquestrada pela grande imprensa de Rondonia e do país,em especial o jornal Folha de Rondonia e
a revista Istoé , em que acusava a lcp e os camponeses daquela região de ser “guerrilheiros”, “ligados as farc”,etc, sendo esses mesmos órgãos de imprensa apresentavam os pistoleiros dos latifundiários como “trabalhadores”.Tudo isso era para tentar justificar este massacre que estava em adiantada preparação conforme denunciamos inúmeras vezes.Esta imprensa é culpada pelo sangue derramado destes camponeses.
Tão logo ocorreu o massacre ligamos para a Policia Federal que disse apenas que isso não era de sua jurisdição e não podia fazer nada.O secretário de segurança pública César Pizzano disse que para ir no local
onde estavam os mortos “precisava de um boletim de ocorrência primeiro”?!!.Isso mostra a cumplícidade destes orgãos neste massacre sendo que os mesmos há pouco também acusavam os camponeses de “guerrilheiros”.
A liga dos camponeses não descansará enquanto os responsáveis por este massacre não forem punidos e a terra destes camponeses não for cortada.
Liga dos Camponeses Pobres de Rôndonia
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