Rede FELCO Minas

A organização coletiva em favor do cinema social.

Aline Souza

Dica: A mostra CINECUBA está em cartaz no Cine Humberto Mauro!



Ao Cinema Não Cordial!
O Texto abaixo contextualiza a mostra que está em cartaz no Cine Humberto MAuro, onde aconteceu o FELCO desse ano. O cinema é parceiro e tem dado ênfase para produções de caráter questionador e olhar enviesado!!

CINECUBA
[DE 01 A 25 DE MAIO DE 2008]
A mostra
CineCuba, apresentada pelo Cine Humberto Mauro e dividida em duas partes, dá
acesso introdutório às obras de três dos mais importantes realizadores cubanos -
Tomás
Gutierrez Alea
(ou Titón), Humberto Solás e Pastor Vega -, de um grupo surgido após a
Revolução que incluiria ainda Júlio Garcia Espinosa, Manuel Octávio Gomez, Santiago
Álvarez, Sara Gomez, Nicolás Guillén Landrian e muitos outros. Como se trata de um grupo
fundador, sua história está intimamente ligada aos eventos ocorridos na ilha a partir de
1959.
O cinema cubano surgido após a Revolução se empenhou em seus primeiros anos por
construir uma cinematografia, em meio a esforços e sacrifícios de toda ordem, como seria
de se esperar em um país pobre e subdesenvolvido. Período eufórico, em que jovens e
adolescentes improvisaram-se na constituição de um quadro de técnicos e diretores,
repentinamente chamados pela história a dar conta da tarefa. Invenção de um país-cinema,
esta produção teve traços marcadamente nacionalistas - comuns aliás a outras
cinematografias que compunham o movimento do Novo Cinema Latinoamericano, Brasil
incluído -, com um interesse especial pela reescritura da história passada e presente, e
ênfase em representações dignificadoras do povo.
Promotor deste movimento, o ICAIC (Instituto Cubano del Arte e Indústria
Cinematográficos)
foi o primeiro organismo cultural estatal criado pela Revolução, e a lei
que o criou incluiu entre suas divisas a intenção de promover a expressão de um espírito
crítico essencial à própria Revolução. Este mote provocou desde cedo debates públicos
acirrados para traçar o alcance deste espaço de liberdade artística diante de determinada
instrumentalização política. O risco era o acosso do realismo socialista, com sua cartilha de
temas e olhares edificantes e totalitários. A postura – singular – defendida afinal pelo ICAIC
seria a de que a maturidade cinematográfica cubana teria sua emergência condicionada ao
direito de exercer a heresia sistemática - o gesto sempre possível de ruptura com dogmas
estabelecidos. De fato, esta instituição ofereceu uma salvaguarda alentadora para a criação
cinematográfica-artística no cenário cultural cubano, mesmo nos momentos em que foi a
executora tática dos limites oficiais eventualmente impostos pelo regime.
Mais além de um cinema exclusivamente afirmativo das benesses da Revolução, os filmes
produzidos no final da década de 60 começaram a complexificar suas dramaturgias,
temáticas e ângulos de abordagem sobre a realidade social e histórica da ilha. Nota-se que
pelo vigor esta é ainda a década de ouro do cinema cubano. Dois dos filmes apresentados
aqui são clássicos desse período -
Memórias do Subdesenvolvimento e Lucía
. Nesse
momento os cineastas cubanos certamente contribuíram com suas inquietações para a
presença de Cuba num imaginário mundial de convulsão, em que a apologia da revolução
aproximava-se e confundia-se com as agitações estudantis, as lutas por direitos civis, o
maio de 68 francês, os movimentos anti-colonialistas africanos.
Mas a onda reacionária que se seguiu, mundo afora, a essas convulsões de finais da década
de 60 também acinzentou a cinematografia cubana. Em tempos acirrados de guerra fria e
convocados a cerrar fileiras em defesa de um projeto de sociedade socialista, os realizadores
cubanos se viram às voltas com pressões internas e externas para minimizar ambigüidades
em seus filmes. Era novamente preciso tratar de defender a prática cinematográfica do risco
de simplificações políticas e comodidades estéticas.
Cabe apontar que embora Titón e Pastor Vega não estejam vivos, Humberto Solás mantém-se
enérgico adversário de um cinema estética e politicamente conformista. Fundou e preside
na ilha, desde 2003, o Festival Internacional del Cine Pobre, estimulando a divulgação de
filmes independentes feitos em regime cooperativista e com recursos digitais de baixo custo,
num gesto de valorização de 'pequenos eventos'.
Assim, de certa maneira, e até certo ponto, a luta continua.
Bruno do Cavaco

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O que é o FELCO??

O FELCO - Festival latino Americano da Classe Obrera de Cinema e Vídeo propõe o acesso democrático à produção cinematográfica. Idealizado por estudantes e profissionais de cinema, o Festival é um projeto de democratização, circulação e formação de público da produção cinematográfica latino-americana que pretende criar uma rede entre a produção e o público de cinema. O projeto surge a partir da constatação da precariedade no intercâmbio da produção entre os países latinos. A proposta é promover a consolidação de sistemas alternativos de exibição tanto por questões econômicas, de identificação cultural e da mobilidade nos fluxos comunicacionais ideológicos. O projeto mapeia as produções independentes e cria um circuito de exibição alternativo tendo como referencial os espaços de Movimentos Sociais. A finalidade é exibir filmes e mapear a produção independente.

Fonte: ALAIC - Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación

Notícias publicadas em www.imersaolatina.com

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