
NO CALVÁRIO DO OSTRACISMO
*Aprí¬gio Netto
Muitos relatos sobre a decadência de carreiras cinematográficas, principalmente das divas, remetem-nos à incontrolável dependência das drogas ou do alcoolismo. Críticos e público costumam endeusar o filme, O Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 50), roteiro de Charles Brackett e Billy Wilder, como o supra sumo desta cruel sina que acomete alguns desavisados astros e estrelas do cinema.
Sunset Boulevard, mostra o confinamento em sua mansão e o mergulho numa existência irreal de uma ex-estrela que foi aposentada pela exigência do público atual e ávido pelo novo e que se esquece facilmente de seus ͬdolos. Não que, o clássico de Billy Wilder, com uma magní¬fica interpretação de
Gloria Swanson, não mereça tais créditos. Claro que sim, mas é necessário também aplaudir “As Lágrimas Amargas” (The Star-52) de Stuart Heissler.Esse excelente drama que analisa com mais critérios o entardecer de uma estrela com todas as suas implicações passou quase que despercebido pela crí¬tica e pelo público mundial, mesmo que Bette Davis tenha sido indicada ao prêmio da Academia. E somente agora, que essa falha pôde ser reparada com o seu lançamento em DVD.
Com o passar dos anos e a diminuição das chances de estrelato, Margaret Elliott, uma grande estrela de Hollywood dos anos 40 se vê de repente tendo que desfazer de seu patrimônio para pagar os credores. Ao mesmo tempo em que ela tenta recuperar a custódia da única filha Gretchen (Natalie Wood), resultado de seu casamento fracassado.
Ela insiste com o seu empresário Joe Morrison (Minor Watson) para falar com o produtor Harry Stone (Warner Anderson) para colocá-la em sua próxima produção como forma dela recuperar a sua naufragada carreira. Descontrolada, ela discute com as sanguessugas (a irmã e o cunhado), dirige embriagada e é presa.
O fã e ex-aspirante a ator, Jim Johansson paga a sua fiança, e quando Margaret retorna à sua casa, a imobiliária a havia despejado. Sem alternativas, ela aceita ir para a casa de Jim. Finalmente, como ela não pode fazer o papel principal no filme porque a atriz Barbara Lawrence já havia sido contratada devido a sua idade ser mais adequada para o papel, restou a Maggie ter que aceitar o papel secundário da irmã mais velha e amarga da personagem principal.
No entanto, ela subverte as normas para que a sua personagem aparentasse ser mais jovem e aceitável. O resultado é catastrófico e possibilita a Margaret sua integração ao novo modus vivendi. O DVD traz de bônus, os comentários dos autores do roteiro, Dale Eunson e katherine Albert que relatam que a estória não foi inspirada na vida de
Bette Davis, embora existam algumas coincidências, e sim, na vida da estrela
Joan Crawford que se recusava a aceitar a passagem do tempo e por isso só queria interpretar sempre mulheres mais jovens. Se você procura um filme de conteúdo, com elenco de primeira, não perca tempo com as baboseiras atuais que as vídeo-locadoras tentam empurrar. Exija, “As lágrimas Amargas”.
* Aprígio Neto é cinéfilo de Alfenas-MG
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